Teus olhos Roberto da Silva Ribeiro Teus olhos, sereníssima donzela, São verdadeiramente mentirosos, Não são a luz, nem lâmpada, nem vela, Mas dois abismos tenebrosos. Teus olhos, sereníssima donzela, Saem a correr como corcéis de Astúrias, E do teu olhar de procela Saltam relâmpagos e injúrias. Sei que tua majestade de gazela Esconde tigres perigosos, Que a paz nos teus olhos se revela Doces grilhões escandalosos (Por tais grilhões minha alma anela) Quando me embalas em tua fúria, Da tua vontade de fera Saltam relâmpagos de luxúria.
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Purificação Roberto da Silva Ribeiro Perfumes exóticos ardem Nesse cremador de basalto, São aromas doces que fogem E sobem em nuvens ao alto. Há sândalo rosa sem falta Cromático e cru estoraque, Telúrico incenso do Egito, E turíbulos e atabaque, Os perfumes são derramados E são entre preces queimados, Vão subindo da terra ao céu Nenhuma fragrância no mundo, Esconde o nauseabundo Fedor de um podre mausoléu.
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Lai Roberto da Silva Ribeiro Porque deixaste teu ninho, Apressado passarinho, E com tuas asas ao léu Alças voo até o céu? Não há para ti piedade No peito da humanidade. Por que sair assim cedo? Só a morte não tem medo. Morrerás de frio e fome Não haverá quem te dome. Não viverás, meu amigo, Pois então dorme comigo E amanhã, talvez já tarde, Encontrarás tua liberdade.
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Soneto Roberto da Silva Ribeiro Jamais desprezei esta planície Tão super-habitada e suas dores Onde me é impossível ver as flores Na sua dura e concretada superfície Jamais desprezei esta planície Onde sempre sonhei e tive amores Onde sei reconhecer os rumores Das suas dimensões e imundícies Mas de olhos fechados em meus sonhos Os pequenos espaços perto dela São campos agradáveis e risonhos. São bosques aprazíveis e bisonhos Onde a natureza é tão bela Como só pode ser nos nossos sonhos