Soneto telúrico

 Roberto da Silva Ribeiro


Menino, molho as mãos neste alto mar

Cuja água tem enxofre, ferro e vida

Para que a poesia possa, lida

Em suas nuvens nuas, navegar.

 

Hoje me sinto largo por não achar

Terra estranha. Organizo a flor ferida

E animado levo para a água polida

Este meu monumento ao teu olhar

 

Sonhos de ouro me queimam como urtiga

Ardem minhas entranhas, como as queimadas

Na selva fervilhante escura e antiga.

 

Em mim irrompem ervas perfumadas

E a ágil mão do Sol me religa

Às minhas margaridas namoradas

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