Soneto telúrico
Menino, molho as mãos neste alto
mar
Cuja água tem enxofre, ferro e
vida
Para que a poesia possa, lida
Em suas nuvens nuas, navegar.
Hoje me sinto largo por não achar
Terra estranha. Organizo a flor
ferida
E animado levo para a água polida
Este meu monumento ao teu olhar
Sonhos de ouro me queimam como
urtiga
Ardem minhas entranhas, como as
queimadas
Na selva fervilhante escura e
antiga.
Em mim irrompem ervas perfumadas
E a ágil mão do Sol me religa
Às minhas margaridas namoradas
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