Soneto Sérvio

 Roberto da Silva Ribeiro


Voa o mocho na noite indiferente,

Voa o mocho na névoa ao luar,

A Lua reluz nas nuvens nuamente

O morcego a reflete em seu olhar.

 

Tem seu olhar a força de um doente,

De um doente à morte, a agonizar.

Estou preso em seus vôos, minha mente

Minha mente é só este lugar.

 

Para e pousa, morcego nos umbrais,

O alvorecer não tarda, clandestino,

Porém para mim, não, tardou demais.

 

Não ferirão a mim os seus punhais

E eu não verei o dia, me defino,

Não me verá o dia, não mais.

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