Soneto
Só nós somos o sumário do
tormento,
Sombras nuas a sofrer, poços de
pragas,
Sujo jardim de angélicas
pressagas,
Um riacho a rugir em rumor lento.
Vai-se o tempo total em um
momento
Aos que venderam vis suas duras
chagas,
Necrológio igual, letras que
afagas,
Tudo é um fatal ferimento.
Vivemos todos nós como
estrangeiros,
Por que a fama e o favor são tão
ligeiros
Quanto um sonho em cor que já se
esquece.
E quem hoje está vivo há de ir-se
E quem virá amanhã há de evair-se
Como a ira da tormenta que te
tece.
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