Soneto da Madrugada
Noite, fervilhante como a minha
alma,
Cantiga de amor que nunca foi
ouvida,
Madrugada cheia de treva e de
vida,
Silêncio de lar, farfalhar que acalma.
Túmulo sem paz, cidade tão calma,
A rua com suas brumas brancas é
perdida
Quando conto pés em minha dura
lida
Ela corre ao léu, suas frias mãos
espalma.
Madrugada, bêbada que me encanta
Já prostituída em seus vis
botequins,
As letras são poucas e a emoção é
tanta
Que as palavras morrem em minha
garganta,
Noite, amante pálida dos
alerquins;
Minha voz se cala, minha dor te
canta.
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