Soneto da Madrugada

 Roberto da Silva Ribeiro


Noite, fervilhante como a minha alma,

Cantiga de amor que nunca foi ouvida,

Madrugada cheia de treva e de vida,

Silêncio de lar, farfalhar que acalma.

 

Túmulo sem paz, cidade tão calma,

A rua com suas brumas brancas é perdida

Quando conto pés em minha dura lida

Ela corre ao léu, suas frias mãos espalma.

 

Madrugada, bêbada que me encanta

Já prostituída em seus vis botequins,

As letras são poucas e a emoção é tanta

Que as palavras morrem em minha garganta,

Noite, amante pálida dos alerquins;

Minha voz se cala, minha dor te canta.

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