Soneto alexandrino

 Roberto da Silva Ribeiro


Sorte têm os poetas que amam o trabalho

E a trama e os põe em versos vivos, sem rimar.

Felizes os que cantam os que não têm lar,

Nem terra, felizes sonham com a foice e o malho.

 

Sábios são os poetas que fazem do orvalho

Cantos à liberdade saudável, solar,

Eles se libertaram da dor do luar

De todas essas coisas. Mas eu, que é que eu valho?

 

Não sei cantar a paz, nem a guerra, nem nada

Como um livro mofado numa biblioteca

Estou puro em minh’alma velha, arcaizada.

 

Amo a verdade, mas mesmo assim cada

Verso, cada palavra em minha mão se seca

Não serve mais pra nada, só pra ser rimada.

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