Soneto alexandrino
Sorte têm os poetas que amam o
trabalho
E a trama e os põe em versos
vivos, sem rimar.
Felizes os que cantam os que não
têm lar,
Nem terra, felizes sonham com a
foice e o malho.
Sábios são os poetas que fazem do
orvalho
Cantos à liberdade saudável,
solar,
Eles se libertaram da dor do luar
De todas essas coisas. Mas eu,
que é que eu valho?
Não sei cantar a paz, nem a
guerra, nem nada
Como um livro mofado numa
biblioteca
Estou puro em minh’alma velha,
arcaizada.
Amo a verdade, mas mesmo assim
cada
Verso, cada palavra em minha mão
se seca
Não serve mais pra nada, só pra
ser rimada.
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