Ode sáfica
A solidão: fotografia e fritura,
Olho a cegueira em coloridos
lances:
Tonalidade em mata e morro. Pura
Beleza em flor, jardins,
romances.
Cartão postal, brilho, reflexo e
fogo,
Lâmpada e vela e candeeiro e
facho,
Lanterna e lama e lusco-fusco
logo
Brilho do bar fantasma, eu
acho...
Raio e relâmpago e estrela
luzente
Luziluzindo. A solidão: Crepúsculos,
Livros, sombra, guarda-sol
rompendo o
Medo e o perigo tão minúsculos.
Piche e azeviche, corvo e abutre
e Augusto
Dos Anjos. Morte, frio e flor,
luto em Plutão.
Idealismo: a refração do susto.
Reflexão, reflexão...
Cor, vigilância e deus pavão,
menina
Dos olhos córneos. Imprevidência
e pena:
Braile e bengala e cão de guia e
morfina,
Pornografia mais serena...
A antiguidade em preto e branco e
a dores,
Câmara escura e negativo em cor,
Desenho em luz pálida e amarga.
Amores:
Cera e papoulas, peste, ardor.
Céu, mar, frio e gelo. Porcelana
e fé. Sangue,
Flor, comunismo e calor, verme
encarnado,
Luxo é pimenta e pimentão. Não
mangue:
Gosto picante de melado.
Febre e rubi: brilho brilhante em
paz.
A alvura e a neve e o gelo e a
núvem. Bruma:
Religião, óstia, altar de Anás:
Toalha e leite: tudo espuma.
Trigo e pão, véu, cásula e cal,
magia,
Arroz, papel, virgem caduca. Na
infância
Atra, canhestra e negativa, havia
A solidão e a minha ânsia.
Serenidade na fé, chá, sujeira,
Petróleo e febre violeta em
Bizâncio.
Constantinopla: negritude e feira
Alegre e tola. Mestre Mâncio,
Emaranhado em popular papiro,
Delicadeza e inteligência e
festas:
Matiz, esmola degradê de lírio,
Música ou tópicos bem bestas.
Cor, pontilhismo à tinta e
afresco a pó.
Pintura e arte e cartolina e
alporama,
Evasão, sonho e diamante. Só
Brasa em carbúnculo me ama
Joia e riqueza, claridade e Sol,
Lua e luar, cintilação, candeia:
Vida e alegria, brilhantina e
gel,
Seda, cetim, minha sereia.
Perto da outra Éris, Íris fita a
Modernidade à luz. Poder de
espadas,
Luta e ciência, maravilha excita
a
Minha vida, mas me enfadas.
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