Ode IV


Roberto da Silva Ribeiro

 

Mas a sede do ser é sempre a solta

Margem, ou mais além. Aqui e agora

O espírito espalhado neste espelho

Líquido só se dá a quem se escolhe.

Nele a arfagem fugaz de fria verdade

Apenas transitória.

 

E a verdadeira regra está em ter

Retidão ao romper todas as regras

A seu tempo e lugar, para ajustar-se

Aos costumes correntes e corretos

E ao caprichoso gosto deste cosmos

Nos séculos que seguem.

 

Pois não podemos pôr correntes

Às coisas deste lado a não ser

Que as olhemos nuas e ao avesso

Pelo espelho dos olhos refletidos

Ou então pelos tempos corrompidos

Pelo passar dos séculos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog