Ode anacreôntica

 

À mesa, convivas!

Nas taças, o tinto,

Nas bocas o beijo,

No peito, alegria!

 

Bonita mocinha,

Com tirsos de heras,

Tornozelos lindos

E seios altivos,

Toque, dance, vibre:

Quero ver teu corpo

À Vênus honrar.

 

Vamos camaradas,

Marquemos com palmas

Os doces compassos

Das claras canções!

 

Amável mocinho,

Com ramos de louros,

Pés ágeis ligeiros

Peitoral sublime:

Toque, cante, dance

Quero ouvir teu canto

Dionísio louvar.

 

Se a mãe dos enéadas

De mim se esqueceu

Já vem me aquecer

O bom pai Lieu.

 

Ah, filho dileto

De Jove e Semele,

Deus claro, eterno

Do vinho falerno

E dos parreirais

Nos anos provectos

Ouvi meu cantar.

 

À mesa convivas!

Às taças, ao tinto,

Aos doces compassos

Às claras canções!

 

Empunha-se a taça

Enche minha ânfora,

Inspira meus versos!

Que a lira empenho

A ti para sempre

Ó Baco, sereno,

Ouvi meu clamor!

 

Vamos, camaradas,

Louvemos com palmas

Com bocas, com risos,

O bom pai Lieu!

 

Quero em todo tempo

De ti merecer,

Grande Tioneu,

Este excelso excesso,

Todo este prazer

De beber. Beber

E brindar a ti.

 

Já vem me aquecer

O bom pai Lieu

Aos doces compassos

Das claras canções!

 

Ah, filho querido

De Zeus e Tione,

Venha o licor líquido

Que enche de fogo

Nosso coração,

Que eu quero beber,

Beber e cantar.

 

À mesa, convivas,

Às taças, ao tinto!

Que a morte é ligeira

E a vida mofina.

 

Senhor da tragédia

Eu quero beber

Até me tornar

Impotente e estúpido

E até esquecer

Os males, os males,

Os males da vida!

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