Ribeirão Preto

 Roberto da Silva Ribeiro

A chuva cai em grossas gotas graves,

Molha muito os telhados tisnados

E as ruas lamacentas. Afugenta

As gentes, interdita minha ida.

Na dor das despedidas desse povo

Sequer  chega-se a sentir o aguaceiro,

Pouco a pouco o silêncio se supõe

Pelo pátio do colégio. O vozerio,

O alarido dos risos vai cedendo

Na distância. As crianças se esfregam

Nas janelas dos carros que atravessam

Estes portões da escola. Após a chuva,

O ar parece mais puro, o sol desbota

No céu com tons inertes. Onze horas

Da manhã arredia, nua, cinzenta

E fria. O céu está triste como um homem

Sozinho, em pé diante da partida.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog