Poema de amor

 Roberto da Silva Ribeiro


Eu queria merecer o teu amor

Todo este teu amor que vejo dar

Alegres piruetas desenvoltas

Como um bando, um rebanho de rebeldes

Turbulentos. Amor que sinto ser

Um fruto proibido de palmeira

Coberta pelo sangue de holocaustos

Humanos, cujas palmas nós dão sombra

Tenebrosas, umbrosas trevas turvas

Em turbilhão. Amor canibalesco,

Ânimo de animal nas calmas sendas

Das matas tropicais do teu desejo

Que é farto de mar e de incêndios rubros

E das claras areias de tuas dunas

Incestuosas... O teu amor, o teu amor,

Que quisera retê-lo inteiro, íntegro,

Para que me sentisse, se o tivesse,

Deter e reter teu terno pejo

De virgem imoral e me mentir,

Deter dentro de mim dois oceanos

Coagulados por espaços infinitos,

Galeras e gaivotas, como a alma

Me é talhada de sombras de relâmpagos

Coalhando o firmamento enquanto espiam

O banho sensual, morno e molhado

Das vagas... Queria ter o teu amor

Não para ser feliz e nem mesmo triste

Mas pra não ser humano e nem ser fera

E parar de viver para sonhar!

Eu queria possuir o teu amor

Só para ser completo, sendo nada...

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