Ode ao decassílabo
Se eu canto a quantidade em
decassílabos
Sejam eles perfeitos, sejam
frouxos,
São, porém, decassílabos meus
versos.
Eu, denso em decassílabos, eu em
dez
Sílabas, decassílabos heroicos.
Meu doce decassílabo, meu metro,
És meu porto tão puro, minha
música
Tão certa. Que quero eu? Quem que
conhece?
Quem que conhecerá? Fui o ferrado,
Claro, mas quem quer isso,
decassílabo?
Tantos são tão teimosos neste
mundo,
Vivem em vão nas vitrines. Ora
bolas!
Estarão todos tortos e enterrados
Como eu fui enterrado. Poderosos
Da república, artistas gloriosos,
Estarão todos tortos e ferrados,
Eu, porém, os invejo
amargamente...
São os santos Elísios para vós,
E para nós o inferno (o largo
Hades
Para quem preferir mitologia).
E quero acreditar em cada culpa
Minha e não um capricho do
capeta.
Assim sou eu, Perfeito
Decassílabo,
Mas porque eu me perco com as
pessoas?
Não tenho que te dar opiniões,
Eu só quero uma torre de marfim.
Danem-se os dietólogos e todos
Os que não acreditam nos arcanos
Da dietologia. Decassílabo,
Onde eu encontrarei o meu
cantinho?
Onde eu encontrarei a matemática
Suprema do destino, Decassílabo?
Zero, zero mais zero vezes zero
E noves fora, zero. Não espero
Encontrar decassílabos no céu...
O que eu faço não tem mesmo
militância
(Ao menos não milito para mim)
Militância nenhuma. Decassílabo
Seu eu canto a quantidade em
decassílabos,
Vivam eternamente, os
decassílabos
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