Hino a Dóris
Uma alheia voz vinga este prazer
tão feio:
Tu és aconchegante como um corpo
estranho
E teu olhar vazio de luz, de luto
cheio,
Fatal como os fatos, letal como
os lerdos
Se prostitui aos seguros sonhos
do século
Pois és inacessível a todos os versos
És fraco fruto alheio, assim de ti
me retiro
Pois és rumor da rima, silêncio
do sino,
E tu que estás no quarto teu e no
teu quarto,
Que és berço de batalhas,
Bastilha de bestas
És tão desconhecida e dura quanto
a sorte
Sendo inacessível a todos os
versos.
Porém à parte, à porta do teu
inferno, aflito
Por ti, ó Dóris, dei sentido
certo à vida.
Fecha agora o crepúsculo sobre o
teu dito,
Decifra estas frases de cifras e
recifes
Que vêm compor charadas sobre ti
mesma
Que és inacessível a todos os
versos.
Estas linhas são limpas. Com
razão duvido
De ti, pois eu passei pelos teus paços
podres,
Eis por trás dos altares e dos teus
passares
Estão todas tuas trevas mais feias
e frias
Eu por ti, Dóris, dou sentido às
coisas,
Pois és inacessível a toda a
poesia
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