Composição

  Roberto da Silva Ribeiro


Verdes olhos frios de falsa francesa,

Pra fazer uns versos que encham teu espelho

Qualquer coisa serve, qualquer coisa serve,

Pra salmodiar e se odiar o carma.

 

Só há uma verdade e vinte e seis letras

Pra se fazer versos que encham teu caderno.

Qualquer coisa serve de motivo leve

Pra salmodiar e se odiar a rima.

 

Balangandãs de aço de falsa baiana

Pra cantar mulheres, qualquer coisa serve.

Qualquer coisa serve, serve se sutil

Tudo já foi dito, mas ninguém escuta.

 

Só há uma ideia e tão muitas metas

Que a arte se repete, que a vida se repete

Tudo já foi dito, mas ninguém enxerga

Que a arte se repete pra imitar a vida.

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